domingo, 7 de abril de 2013

a noite

éramos um só.
um só sentimento, uma só sintonia.
os momentos diziam quem deveria sorrir
quem deveria falar
quem deveria se calar.
um semblante diante de mim
que não era aquele que cerrava-se diante dos outros.
um sorriso como nenhum outro
sinceridade que jamais havia sido presenciada.

éramos dois.
eu aqui
você ali.
como se fosse possível tocar na alma.
tão perto, tão sereno.
tão distante. . .
faltaram-me palavras.
faltou-me a coragem.
gelou-me o peito pensar que estava tudo certo
mas eu podia deixar tudo errado.
erro meu.
afinal, éramos um só.
deixei que nos tornássemos dois
na esperança de que não se perca o infinito.
o infinito está no presente e dura pouco.

aguardo nos vermos novamente,
aí tornamo-nos um só:
saberei o que falar.
o que sentir.
o que calar.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

TRÊS DE ABRIL

se eu fosse uma estrela, iria apagar.
talvez, se eu fosse um rio, poderia secar.
posso até mesmo pensar em ser um pêndulo, os ponteiros de um relógio, mas eu, mesmo assim, iria parar.
queria ser o calor, o sol, a luz: tornaram-me frio, lua, trevas.
teimo em ser quem sou, mas a teimosia me faz negar a verdade.
teimo em tentar acertar. tentar acertar um alvo que não é certo: é turvo, se move e some.
penso que sei amar. não. descobri que prefiro deixar que amem e contemplar os sorrisos alheios.
prefiro caminhar sozinho. observar cada detalhe. não perder nenhum momento.
não quero marcar, mas marco. machuco. despedaço. dilacero.
há aqueles que acreditam que não. há aqueles que me jogam para o alto.
aqueles que me põem no cimo do Olimpo. não enxergo. prefiro encarar Ades. provar pra mim mesmo que sou forte. inútil. não preciso disso. não preciso pagar pelo sofrimento.
não preciso pagar para minha própria hipocrisia: amar o mundo e odiar meu próprio semblante, colocando o mundo contra mim.
apagaria cada ponto brilhante no céu.
cessaria cada sussurro proferido na calada da noite.
deixaria tudo num breu. na mais escura das noites. só pra ter certeza de que sei o caminho, pra ter certeza de que sei onde estás. . . de que sei onde estou.

quarta-feira, 27 de março de 2013

O Sol

morre novamente. explode a cada pulsar. aquece a cada respirar de um novo dia. ilumina as horas que, em um momento de trevas, são dádivas desperdiçadas momento a momento.
nasce novamente. chora, caminha corta o céu e parte meu coração. cambaleia em uma mesma direção. todos os dias, só pra morrer de novo e deixar sozinho aquele que tenta alcançar o horizonte. a lua não respeita seus filhos, ela puxa as sombras e engole os sorrisos. revela os medos. despe os instintos.
mas o sol. . . ah. o sol nasce, morre, cria e mata.
ele é tão humano que não tem pena de seus filhos: explode e pede perdão, todas as noites.

terça-feira, 26 de março de 2013

PROCURA-SE

procura-se olhos para encarar, uma voz pra conversar.
procura-se palavras carinhosas e o silêncio que pode até confortar.
procura-se um amor que seja louco, completamente insano.
insano a ponto de gritar, espernear, discutir e fazer drama. . . só pra depois correr para os braços que o alimentam.
procura-se abraços, beijos e sorrisos. todos sinceros. tão sinceros que ciúme não seja necessário. tão sinceros que os tapas, quedas e lágrimas façam apenas parte do aprendizado, façam apenas seu papel chato pra nós dizermos "c'est la vie".
procura-se um alguém que não queira ninguém, mas, que quando chegar a hora certa, sentirá a vontade de nunca mais largar aquele sorriso que o faz viver, que me fará seguir.
procura-se um alguém que disfarce o meio sorriso, que ache que sabe fingir o desprezo, mas, na verdade, o fingimento só revela a vontade de se estar junto.
procura-se a felicidade. não quero encontrar a comodidade: procura-se viagens, coragem, tempo. talvez um medo, uma segurança, uma garantia.

procura-se o que talvez não exista, mas insisto que esteja perdida por aí.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Capítulo 17 - Ponteiros

   Olho o relógio e não vejo horas, vejo anos. O tempo não passa mais como antes; os minutos não correspondem à ânsia e à euforia de se viver. A vida corre a eu fico pra trás, junto dos ponteiros e dos incansáveis números cíclicos.
   Tenho dúvidas. Não sei o que esperar de mim mesmo. Não sei o que esperar de suas palavras, de seus gestos. Não sei o que fazer em uma noite chuvosa sem companhia.
   Olho o relógio e tenho vontade de jogá-lo longe, pois ele não parou no momento que deveria: ele acelerou e assustou aqueles que passam por mim. Ele não acelerou quando deveria: ele parou e torturou todos os meus sentimentos e jogou-os longe, assim como eu faço agora com o tempo. Jogo longe.
   Não tenho tempo, o tempo me tem. Adeus ponteiros, bem vinda Vida.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Capítulo 16 - A Menina


                "Era uma menina diferente de todas as outras que já havia visto. Nada se comparava com aqueles olhos sinceros, com aquele sorriso acolhedor, com aquela personalidade brilhante.
                Acontece que a conheci em um dia qualquer, sem grandes méritos, sem grandes planos, sem quaisquer olhares mais profundos e cativantes. Não esperava nada, simplesmente aconteceu. Depois de certo tempo algo muito estranho caiu sobre meus ombros e começou a revirar meu peito e abrir meu coração. Tenho certeza de que meu semblante poderia ser comparado ao de uma criancinha quando recebe seu presente de Natal. Ria à toa e falava mais do que o meu normal.
                Percebi que havia mudado e que meus sorrisos não eram mais forçados e melancólicos. Talvez, pela primeira vez em minha vida (depois de minha rica infância), eu sorria sem o fundo de melancolia suspirando atrás de mim. Pode ser que tenha exagerado nas palavras, mas o poeta sempre considera que seus sentimentos sejam descartáveis e joga todos eles no lixo, tornando-se uma vítima de si mesmo, sufocando seus próprios princípios e tirando a liberdade daquele que mais ama e quer bem. O poeta tenta transformar em arte cada momento e, em alguns desses momentos, a arte é desnecessária, pois ela apenas fantasia as expectativas fantásticas de uma mente solitária.
                Era um sentimento fora do comum. É um sentimento fora do comum, na verdade. Ao mesmo tempo que me dá vida, inspiração e alegra as horas da minha existência, ele me consome, traz a melancolia e molha os travesseiros das noites pensativas.
Realmente, é uma menina diferente de todas as outras: conseguiu desmitificar o artista, conseguiu transformá-lo em um ser menos egocêntrico, menos introvertido. Conseguiu aumentar a maré de pensamentos e preocupações que assolam a mente viajante, conseguiu dominar os sonhos daquele que sempre se considerou muito livre e, falsamente, feliz.
Suas conversas desviavam toda minha atenção, sua meiguice hipnotizava meu ser, congelava meus olhos, distraía-me todo. Meu tempo não era útil sem suas palavras, minha vida não fazia sentido se não tivesse presente. Comecei a perder as horas, perder cada segundo aprisionando almas, forçando as areias correntes de uma ampulheta eterna, que não precisa acelerar nenhum grão de seu escoamento, apenas flui.
Se me perguntarem o que sinto agora, responderei com orgulho que nada mudou. A chama não apagou, foi apenas colocada em seu devido lugar, não mais junta à ampulheta, não mais queimando os ponteiros. Se me perguntarem o que sinto agora, responderei que sinto a melancolia de se amar, a felicidade de se desejar, o desejo de não se querer, apenas a vontade e a certeza de se deixar fluir. Sentir o friozinho da incerteza, apostando na confiança do que vem lá do fundo do peito.
Ela me ensinou a viver... me ensinou a ter vontade de viver, a vontade de querer morrer, a ânsia de querer matar, o sentido do orar, o significado do perdoar. Ensinou-me o que é sorrir e o que é chorar.., aprendi a não me importar, aprendi a cativar; a não querer... aprendi a deixar viver e a conquistar. Aprendi que contra o tempo, não posso, ele põe tudo em seu lugar."

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Capítulo 15 - Soleira

       E lá estava eu, sentado às margens da calçada, em uma soleira qualquer, esperando suas palavras. As gotas da chuva não cessam e continuo procurando seus olhos em meio às lágrimas do céu; nada vejo, apenas sinto a brisa gelada bagunçando as pétalas do jardim, desarrumando minha camisa que acabo de perfumar para encontrar meu amor.
       Ouço apenas o som da água estalando no solo úmido, misturado ao barulho do vento na folhagem e de minha respiração ofegante. Sinto o vazio que a chuva apresentou-me. Espero teus braços por horas, sentado na soleira de ninguém, à sua porta. Aguardo teu retorno; não sei quando volta, não sei nem se partiu.
       Meus rabiscos tornam-se meus amigos debaixo do telhado que deságua em volta de mim. Folheio lentamente cada página do meu diário e registro com o carbono todos os sentimentos que flamejam em mim. Viram, simplesmente, carbono.
       E lá estava eu. Sentado na calçada, nos degraus de uma casa que me faz rir, que me faz chorar, que me deixa a esperar. Nada sinto... o frio do dia não supera o gelo pelo qual estou passando. Não sinto calor... minha blusa não me aquece como seus braços aqueciam, como seus sorrisos o faziam.
       Apenas espero. Sentado nos degraus, vendo o portão abrir-se e fechar-se sozinho e nada de você.

domingo, 11 de setembro de 2011

Capítulo 14 - A Recompensa


"Não desejo o mal a ninguém, mas também não desejaria a esperança que nunca tive. Sei que todos somos dependentes do coração alheio, por mais que odiemos o mundo e as pessoas a nossa volta. Dependemos do carinho, da atenção e do afeto. Retribuímos com o que temos... muitas vezes, nada. Muitas vezes, nada é tudo o que temos e fazemos de tudo para que compreendam isso. Se não temos nada para dar em troca do abraço apertado, do sorriso caloroso, então façamos do vazio um presente para aqueles que não sabem o que não é amar, ou para aqueles que perderam as esperanças de olhar para o horizonte a sua frente."

Capítulo 13 - A Promessa

       Fui vítima de mim mesmo. Matei todos os meus sentimentos por ignorância, por ansiedade, pelo fato de nunca antes ter amado e não saber como é chorar sem motivo.
       Machuquei os sentimentos alheios por ter medo de perde-los, pelas falsas crenças de que eu nunca mereci amar e ser amado. Atropelei todo o tempo. Roubei seu ar. Rasguei sua liberdade e também feri a minha. Sempre odiei o fato de saber demais, aconselhar demais, mas percebi que, não sabia de NADA. A onda quebrou no meu peito e me vi, simplesmente, sem ação.
       Prometo ser o que sempre fui. Matarei todos os fantasmas que assombram esse sentimento de medo e incerteza; esses fantasmas que derrubaram seu olhar e, agora, destruíram meu peito. Não mereço olhares de pena. Não sou aquele que domina, que sufoca, que prende. Sou aquele que sorri, que admira, que AMA. Quero meu EU de volta. Quero encontrá-lo em algum lugar aqui dentro.
        Prometo encontrar-me. Prometo encontrar-te. Juro estar ao seu lado sempre. Sempre que quiser. Prometo não chorar mais por futilidades, não pedir mais que me ame, apenas... me entenda.
        Prometo não fazer mais promessas; não assustar mais seus sentimentos... não quero atropelar mais a vida. Juro que pedirei seu perdão, mas não mais o banalizarei como passei a faze-lo. Só quero sentir o que sempre senti, ser o que sempre fui... Andar sem rumo, mas sendo guiado pelo teu sorriso, pelas tuas palavras.
        Deixo aqui meu coração. Espero que me compreenda, porque nem eu estava me compreendendo até então. Espero que seja feliz, nem que isso custe minha vida, minhas lágrimas.
        Obrigado por exixtir

Capítulo 12 - AS HORAS



Resolvi não planejar mais nada.
Resolvi não contar mais as horas, e deixar que as horas contem meus dias.
Decidi não olhar para o futuro sem viver o presente. Cansei de não viver o presente por ser tão poeta; o poeta que cria suas expectativas e fantasia o mundo, mas esquece de transformar sua própria vida em obra de arte. O poeta que sofre com verdadeiras expectativas e, por insistência e inconveniência, torna-as falsas e se desilude por própria culpa.
Resolvi não me revoltar mais com a sociedade. Decidi que a paz, a tranqüilidade e meu cinismo comigo mesmo são mais importantes que problemas que não são meus. Não, não sou egoísta, apenas acho que, para mudar o que está ao meu redor, devo mudar dentro de mim.
Resolvi deixar as horas contarem meus dias, contarem cada batimento do meu coração. Deixo as horas controlarem meus falsos desesperos; enterro tudo aquilo que fui junto às horas que perdi.
Devolvo, sem hesitar, o ar daqueles que eu sufoquei sem que percebesse. Devolvo cada minuto que roubei, cada momento que tirei, cada sorriso que forcei. Sinto-me grato por isso. Sei que, devolvendo o que nunca foi meu, posso ter o que sempre pude, mas acabei gastando em doses torturantes.
As horas me ensinaram a ouvir mais e falar menos... me ensinaram a vitimar aqueles que não têm expectativa na vida, não a mim mesmo. Sou vitima dos meus próprios pensamentos insanos. Eles que me matam e, portanto, decidi matá-los! Matei todos os sentimentos que me aprisionavam e aprisionavam quem eu mais queria feliz.
As horas me ensinaram a agradecer um bom conselho, não a guardá-lo numa gaveta obscura do meu coração. São os motivos que me fazem olhar o mundo como eu deveria, como eu sempre soube, mas nunca o fiz.
Resolvi deixar as horas planejarem minha sina. Decidi que viverei meu presente e olharei o futuro. Não olharei mais o presente vivendo (ou ao menos tentando viver) o futuro. As horas passam e o tempo... diminui.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Capítulo 11 - O Medo

       Sou forte. A fortaleza me enfraquece. Tento mentir pra mim mesmo. Os outros conhecem mais a mim do que eu mesmo me conheço. Meu coração não é mais  meu.
      Tenho medo. Medo de não ter mais você. Medo de me perder. Medo de não ter sequer a identidade que dei a seus olhos.
       Sim, tenho medo. Não tema.

Capítulo 10 - O Vazio

       Às vezes a solidão vale a pena. Às vezes não. Por diversas vezes, o vazio toma conta da mente e, de maneira única e fantástica, ele consegue encher os espaços de ócio e solidão dentro de mim. Dentro de nós. O Vazio, diferentemente do que se pensa, pode ser grandioso e inspirador. Pode ser seu melhor amigo, como também pode ser uma dose letal de tortura e remorso.
        O mais complexo pode tornar-se efêmero, ínfemo, vulgar, banal. O mais simplório ato de amor, o mais gentil e doce sentimento que um olhar pode lançar no horizonte, são mais complexos do que qualquer enigma milenar. O simples fato da simplicidade faz a cabeça remoer-se e tentar desvendar o real mistério por trás das palavras trêmulas que tenta-se expressar.
          O Vazio nos dá a certeza da dependência do Completo. O Completo nos dá vontade de Vazio, solidão, paz. Não entendo os porquês de certos paradoxos da mente e da vontade humana, apenas tento compreender as necessidades de se velar por aquilo que sustenta um buraco dentro de nós: nossos próprios medos, egocentrismos e amores. Amores aqueles que criam uma redoma de medos e inseguranças. Egocentrismos que podem ferir ou, ironicamente, transformam-se em princípios altruístas e solidários.
           Há controvérsias sobre tudo aquilo sobre o qual acabei de mencionar. Se o Leitor concorda ou não, não vem ao caso. Não compete a mim julgar atos, julgar filosofias e profetizar meus próprios princípios ou experiências. Compete a mim fazer minhas juras de amor ao sentimento de Vazio que sinto na ausência de sua voz comigo, ou seus gestos meigos que tentam me fazer compreendê-la quando meus sentidos começam a congelar. É de minha responsabilidade zelar por meus atos, palavras e juras. Responsabilidade minha tentar transformar o meu Vazio, o seu e o do Leitor, em algo maior do que se pode imaginar. 
            Penso nas conversas, nos devaneios, nos meios, em suas pupilas e sorrisos. Encho meu Nada com aquilo que significa Tudo. Se Nada não existisse, não caberia tudo aquilo de que preciso pra ter seu coração comigo. Agradeço ao Vazio. Ele abastece as inspirações e me leva pra onde quero estar: Perto de você.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Capítulo 9 - O Desabafo

       "Posso tentar esconder a verdade dos olhos alheios e deixar mudos os fatos para aqueles que ouvem do lado de fora do meu peito, mas não posso enjaular nenhuma chama que consome meu coração. É impossível viver engasgando com os próprios sentimentos e tentando encontrar o verdadeiro amor no meio das pedrinhas de um mosaico bizantino. Impossível achar o equilíbrio e o perfeito agrado da mente sem sentir a dor da distância do próprio amor.
        Desabafo com o caro Leitor, no caso, Leitora. Admito que sempre fui orgulhoso quanto às minhas virtudes e sentimentos e prometi a mim mesmo que conseguiria controlar cada sorriso meu, cada lágrima, toda a dor, todo o amor. Confesso que nunca me satisfiz com pouco, que nunca me encontrei e que, na verdade, nem sei quem sou e aonde estou indo. Não sei de onde vim e porque aqui estou. Deve haver um motivo maior, alguém maior, algo que, de certa forma, conquistou meu respeito e admiração.
        Sempre fui orgulhoso e meu egoísmo me levou ao altruísmo pleno. Admito, então, que não controlo meus sentimentos, meus sorrisos, minhas lágrimas, meus desejos. Seus olhos dominam minha fala e sua voz congela o tempo e soa como música dentro de mim. O sorriso derruba meus alicerces e pinta uma obra de arte que me deixa sem voz. Não consigo mais me prender a mim e a meus princípios sem pensar em seus pensamentos e creio que me dói mais não poder nem tocá-la ou sentir sua respiração perto de mim.
        Desabafo. Sinto-me leve de deixá-la eternizada, imortal, gravada dentro e fora de mim, mesmo que não saibam quem é. Mesmo que eu não saiba quem sou.
        A verdade está no desabafo, não na própria verdade. A verdade é que ela foi feita para mascarar meus sentimentos e universalizar os fatos. A MINHA verdade é esta aqui, proposta diante de seus olhos, feita pelas minhas lágrimas e sorrisos, dedicados todos a uma só fonte de inspiração que eu nunca esperava encontrar. Tão longe... Tão perto.
        Obrigado por existir."

domingo, 19 de junho de 2011

Capítulo 8 - A Verdade

       "Não tenha medo de se apaixonar. Tentar dominar o coração pode parecer maduro e sensato, mas dominá-lo apenas mata as esperanças e oportunidades que nos são plantadas diante dos olhos.
       Tenha medo de perder a vontade de amar, a vontade de viver. Ao descobrir-se que a felicidade em si não existe e que ela está na busca dela própria, a vontade de extirpar uma vida consome as ideias daquele que não para de pensar e possui a mente inquieta.
       Temer o desconhecido é mais seguro do que enfrentar o incerto e, talvez, letal.
       Não tenha medo de se apaixonar. As punhaladas dadas no coração devem ser sentidas e as feridas abertas para conseguir tirar o que há de melhor lá dentro. A distância impede contatos, tatos... A distância não impede contatos, orgulhos, paixões. Saudade revela a dependência do prazer, da satisfação, da vivência.
       Tentar algo novo não é suicídio, é renovar os ideais, enriquecer as experiências. Tentar algo velho é nostalgia e gosto pelo que realmente valeu a pena e, acima de tudo isso, tentar o novo em algo que já possui longa data, é um privilégio para poucos, uma honra, um aprendizado e, sem dúvidas, a mais satisfatória das sensações.
       Poucos admitem suas paixões, tentam escondê-las de si. É inútil, é inevitável, é covardia. Apaixonar-se revitaliza os olhares e irriga as mentes inóspitas que vagam por aí sem uma direção.
       Não tenha medo, tudo a seu tempo e, as vezes, mais próximo do que se imagina'

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Capítulo 7 - O Desejo

"Faça um pedido. Deseje um momento de solidão. Espere o Silêncio conquistar sua alma e dominar as ideias que pra nada servem.
 Peça para não voltar mais ao lar de mãos vazias e deseje enchê-las de labuta. Labuta mental. Encha suas mãos de pó, de você mesmo e... faça um pedido, pois as moedas da fonte não reluzem mais, não brilham como o cintilar do sonho estagnado nas águas cíclicas e viciosas desse poço de desejos.
  Sentada à beira da fonte, uma doce menininha conta as moedas, refresca suas mãos na superfície gelada e transparente que reflete sua face e distorce seu semblante. Imagina quantos sonhos ali depositados foram deixados para as carpas, quantos desejos oxidaram-se naquelas águas viciosas e tentadoras. Percebe a riqueza deixada pra trás, o tesouro lançado no fundo de um poço imaginário, a preciosidade que nem o baú dos Corsários pode comprar, nem o saque dos piratas pode suportar. Mapeia todas as lágrimas que salgaram o manto límpido, todos os sorrisos refletidos, as esperanças perdidas, os remorsos lançados com a prata.
 Tenta entender o porquê de aquela fonte devolver sonhos em troca do níquel conquistado pela ânsia do material, riqueza ajuntada pelos que não ousam sonhar, por aqueles que já se acomodaram e, simplesmente, lançam sua falta de virtudes com um pedaço daquilo que representa o vazio e efêmero. A vida em troca de uma pequena parcela de misticismo e um bocado do seu bolso.
 À beira da fonte, não ousa tocar em nenhum dos sonhos ali jogados, apenas espera seu momento de insanidade para, então, poder lançar também seus desejos naquela prisão de esperanças.
 Faça um pedido. Aperte suas mãos contra o peito enquanto segura um amuleto que lhe doa perder. Lance-o para as carpas e veja-o afundar com a certeza de que nada o trará de volta. Troque-o pelo Desejo."