quarta-feira, 3 de abril de 2013

TRÊS DE ABRIL

se eu fosse uma estrela, iria apagar.
talvez, se eu fosse um rio, poderia secar.
posso até mesmo pensar em ser um pêndulo, os ponteiros de um relógio, mas eu, mesmo assim, iria parar.
queria ser o calor, o sol, a luz: tornaram-me frio, lua, trevas.
teimo em ser quem sou, mas a teimosia me faz negar a verdade.
teimo em tentar acertar. tentar acertar um alvo que não é certo: é turvo, se move e some.
penso que sei amar. não. descobri que prefiro deixar que amem e contemplar os sorrisos alheios.
prefiro caminhar sozinho. observar cada detalhe. não perder nenhum momento.
não quero marcar, mas marco. machuco. despedaço. dilacero.
há aqueles que acreditam que não. há aqueles que me jogam para o alto.
aqueles que me põem no cimo do Olimpo. não enxergo. prefiro encarar Ades. provar pra mim mesmo que sou forte. inútil. não preciso disso. não preciso pagar pelo sofrimento.
não preciso pagar para minha própria hipocrisia: amar o mundo e odiar meu próprio semblante, colocando o mundo contra mim.
apagaria cada ponto brilhante no céu.
cessaria cada sussurro proferido na calada da noite.
deixaria tudo num breu. na mais escura das noites. só pra ter certeza de que sei o caminho, pra ter certeza de que sei onde estás. . . de que sei onde estou.

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