terça-feira, 20 de julho de 2010

Oh Donzela,
Não me deixe sem teu olhar
Não deixe meu peito sufocar...
Devolve meu coração roubado
Ele não faz parte de um vil tratado.
Oh Donzela,
Não consegue ver além do céu?
Não há nada além de nós,
Do vôo rasante de um albatroz
Que rasga o mar como que um véu.
Oh  Donzela,
Teus olhos podem matar cavaleiros
Tua voz pode derrubar os feiticeiros.
Mas teu gênio não me leva embora
Ele me traga e te devora. 
Oh Donzela,
Descobre quem tu és
Desbrava minha mente
Tão inocente, delinquente...
Vai-te logo com as marés!
...
Só peço que libertes meu olhar,
Deixa meu corpo respirar,
Tira-me dessa paixão
Meu amor não merece teu coração.
Oh Donzela,
Tu és a razão de meu viver,
És o motivo que tira minha vida.
Tu não tens nenhuma razão pra me ter,
Apenas os abraços de uma seca despedida.
...
Oh Donzela,
Como és bela,
Deixo contigo minha inspiração
E levo comigo tua recordação...
Daquilo que nunca existiu...
Da Donzela que nunca se viu.



Talvez seja algum tipo de orgulho, alguma raíz do remorso. Não escrevo mais belas palavras, harmonias agradáveis. Os traços não são suaves, são grosseiros. Meus vocábulos estão densamente dispostos, viciados na dor e na complexidade da arte de se estar vivo. O artista faz da dor uma obra-prima, do orgulho uma verdade, do remorso, um alívio. Não escrevo mais belas palavras? Ora, pra que harmonias divinas se tudo se perdeu em abismos obscuros? Digo que motivos não me são dados, mas uma inspiração me é ofertada e, sendo assim, desafio meu próprio EU a desmembrar o outro lado das graves palavras que tenho marcado. Lá vai:

Talvez seja o orgulho,
Raíz do remorso...
Meus traços graves,
Olhares grosseiros
Palavras densas e vício no complexo...
Talvez seja você,
Raíz de meus sentimentos...
Meus traços suaves,
Meus olhares apaixonados...
Suas palavras brandas
Seu senso para a insensatez.
Insensatez que me devora, 
Me leva além do firmamento
Acima da aurora
Junto das estrelas,
Eternizando cada momento.
Talvez seja você,
Minha razão de estar aqui
De estar aí,
Procurando seus olhos
Nessas palavras que a dedico
Sem mais enrolações.
Eu te amo...
Mas...meu amor te odeia!

domingo, 18 de julho de 2010

Se...

Se a vida fosse feita de certezas...
Se as certezas fossem feitas de condições...
Se as condições nos fossem impostas
A partir do medo que temos
De vivermos por viver
De morrermos pra viver.
Se as afirmativas não fossem adversas...
Se as negativas não fossem tão conclusivas...
Se as conclusões não fossem tão incertas,
Imprecisas, imparciais e duvidosas.
Se a vida fosse construída de certezas,
Que graça teria estar certo?
Se a vida não fosse feita de dúvidas,
Qual o propósito da estada em Terra e não indagação?
Se a vida fosse afirmativa,
Não haveria negações que pudessem evoluir
A solidão de se estar em conjunto,
O autruísmo de se estar só.
Se as condições nos fossem impostas...
Se as imposições soassem como dúvida,
Não começaria tudo com um SE.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Vazio...
Há um vazio no convés
E o marujo observa cada onda...
Ouve cada respirar do oceano
Sente cada brisa
Que congela a estibordo
E se perde a bombordo...
Vai-se embora com o coração mutilado
Que deixou a vida em terra
E para o mar se foi,
De encontro a sua sina,
De encontro ao horizonte.

Vazio...
Vazio no convés.
Um nada que grita,
Um silêncio que canta.
Um vazio
No coração daquele marujo.
Um nada que segue pra um lugar
Onde o mar não traz de volta...

Um último olhar para as ondas
Arrebentando no casco.
...Vazio no convés.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Afirmando...

Pois bem...
Sim, sou um órfão qualquer jogado em mais uma soleira. Costumo ser conhecido como aquele cujas palavras negam o sentido da vida
só pra afirmar o senso crítico da consciência, mas, dessa vez, posso ser aquele que afirma e ratifica o sentido das palavras...
Sim, sou um órfão de pensamentos. Largado em qualquer lugar, buscando refúgio na palavra, abrigo na paternidade da inocência
e conforto em algum olhar que, mesmo cabisbaixo, seja sincero e amigo.
Afirmo dessa vez, só pra não negar a chama que a inspiração me trouxe. Digo sim a todas as ideias e ideais. Concordo que minhas negações
podem afirmar, mas minhas certezas podem negar o inevitável, me deixando completamente insensível para com a arte de viver.
Deixo bem claro, leitor(a), que não siga meus exemplos do modo com que faço parecer. Dói. Apenas olhe meus passos e siga as pegadas paralelamente,
fazendo suas próprias marcas na areia fofa. Pisar sobre minhas marcas na areia podem fazê-lo cair, já que tracei meu caminho de modo tão bem pensado,
tão bem feito, que chega a ser doloroso e solitário andar por ele. Andar sobre as pedras pode parecer e realmente ser mais seguro, porém as pedras rasgam a sola dos pés e te ensinam do modo mais seco e firme.
Sim, deixei de negar. Ao invés disso afirmei e, além de afirmar, transformei períodos que poderiam ser objetivos em períodos tão adversativos que me perco nas ideias e no foco do bom senso.
Faço então das palavras que seguem um último conselho: "andar sobre as pedras é mais seguro. andar sobre as areias é mais prazeroso. seguir passos tem mais a ver com traçar caminhos do que segui-los. ande sobre as areias e apoie-se nas pedras sobre as quais pisei." A vida é linda por fora e insana por dentro, portanto trate-a com temor e lembre-se: a única saída pode ser a porta da frente, aquela que todos o viram entrar.

"dedicado a alguém que tem uma raíz em comum...não sei de onde, mas há"

sábado, 10 de julho de 2010

"Senhor do Tempo,
Mestre das Areias,
Pai da Sabedoria...
Volta agora o viajante.
Retorna do lugar
Onde nunca quis estar,
Onde nunca reconheceu um olhar.
Retorna à sua morada,
Terra de incertezas,
Medos...escuridão...."

Os medos apenas dão a coragem necessária para que a escuridão seja vista a partir de um clarão letal. Letal para os olhos. Constrói as trevas a partir da luz e faz com que abraços sejam sentidos como camisas de força. Medos apenas nos dão liberdade. Controvérsio, não? Eles edificam a liberdade... sentimento de não sentir-se preso a si, ao ego. Dão uma liberdade que nos permite saborear o mundo lá fora, criam uma expressão que nos proporciona total curiosidade de se conhecer o desconhecido. Da liberdade vem a prisão. A escuridão do medo nos aprisiona e ratifica a incapacidade de sermos o que somos. Aprisiona sonhos, sufoca o viver...
Medos talvez sejam a coragem necessária para ganharmos liberdade ou cárcere...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Talvez não seja hoje o melhor dia de sua vida. Talvez não seja hoje o pior dia de todos. Talvez seja apenas mais um dentre vários outros. Sem gosto algum.
Sem sabor de vitória, sem odor de derrotas. Não há nada mais complexo do que a satisfação do gênio humano. Ora, o Sol ilumina, aquece os corações bem-aventurados, traz consigo um brilho de esperança. Mas o Sol queima, abafa, mata. Já a chuva refresca. Acaricia a face, toca os corações apaixonados e, sem dúvida alguma, nos nina com sua doce cantiga noturna e firmemente ritmada. Mas, infelizmente, a chuva molha, alaga, devasta.
Não há nada mais complexo do que a satisfação do gênio humano. As palavras podem confortar, mas palavras podem incomodar. O silêncio pode nos dar respiração, mas o silêncio nos cala, isola e mata por dentro.
Não tento satisfazer mais o gênio humano, ele me satisfaz. Não tento mais compreender esse gênio orgulhoso e cruel, ele me compreende, me fascina e vem até mim. Discute cara a cara com o ceticismo, com o mistério de um ser e não ser.
Talvez hoje seja apenas mais um dia dentre vários outros, talvez não haja vários outros. A satisfação pode confortar. A satisfação pode consumir, deteriorar. A simplicidade não é simples e satisfatória, é apenas o essencial.