terça-feira, 31 de agosto de 2010

Aonde vai aquele menino
que vaga à beira do mar?
Onde está seu coração
que segue as pegadas sinuosas
de um andar ébrio apagado pelas ondas?
Pra onde vão seus olhares
que se perdem no horizonte incerto?
...e sua respiração é ofegante
seu coração palpita e salta-lhe garganta afora.
Seus pais talvez estejam além do mar,
além do limite de suas delicadas pupilas.
Talvez haja motivos, talvez não.
Talvez seus pés o levem à felicidade,
ou a felicidade está na água
que escorre de seus olhos
enquanto trota sem ver o chão.
Talvez seus soluços vitalizem 
seu coração morto pelos sorrisos perdidos,
pela nostálgica dor
de não saber se é saudade
...ou piedade.
Morto por seus heróis que estão lá fora
à deriva, esperando um sopro de inspiração.
Talvez já esteja morto...
correndo para os braços de Netuno
sorrindo para os raios de Apolo
abraçando o colo de Hades
aconchegando-se no ventre materno
daquela praia na qual se perdeu...
Naquela praia que também está à deriva...
Surreal.
Essencial.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Ah... Tenho esperanças...
Tenho esperanças de perdê-las! Perdê-las só pra não cair em um mar de ilusões e me afogar nas águas da boa vontade de uma verdade mentirosa. Não quero perder as ilusões, posso encontrá-las mais cedo ou mais tarde. Quero matá-las, colocá-las frente a frente a um espelho quebrado, só pra poder vê-las se distorcerem, assim como elas fazem com minhas esperanças e momentos de contentamento vicioso.
Ah... Tenho esperanças...
Esperanças de que a verdade seja uma mentira e de que as mentiras mais adocicadas sejam uma realidade concreta, não um bastão fincado na areia de marés, esperando para ser tragado e despedaçado no mar das ilusões.
Ah... como a paciência me apressa... me ateia fogo e apaga meus anseios... Como a pressa me dá paciência... me ensina que os cacos de minha existência não podem ser recuperados. Estão estilhaçados. Prontos para serem fundidos na vidraça de meus ossos. Prontos para serem quebrados e levados ao mar, às areias...
Tenho esperanças... esperanças de não tê-las e, se as tiver, poderei dá-las a mais um caçador de recompensas que vaga no vago. Morto