quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Capítulo 15 - Soleira

       E lá estava eu, sentado às margens da calçada, em uma soleira qualquer, esperando suas palavras. As gotas da chuva não cessam e continuo procurando seus olhos em meio às lágrimas do céu; nada vejo, apenas sinto a brisa gelada bagunçando as pétalas do jardim, desarrumando minha camisa que acabo de perfumar para encontrar meu amor.
       Ouço apenas o som da água estalando no solo úmido, misturado ao barulho do vento na folhagem e de minha respiração ofegante. Sinto o vazio que a chuva apresentou-me. Espero teus braços por horas, sentado na soleira de ninguém, à sua porta. Aguardo teu retorno; não sei quando volta, não sei nem se partiu.
       Meus rabiscos tornam-se meus amigos debaixo do telhado que deságua em volta de mim. Folheio lentamente cada página do meu diário e registro com o carbono todos os sentimentos que flamejam em mim. Viram, simplesmente, carbono.
       E lá estava eu. Sentado na calçada, nos degraus de uma casa que me faz rir, que me faz chorar, que me deixa a esperar. Nada sinto... o frio do dia não supera o gelo pelo qual estou passando. Não sinto calor... minha blusa não me aquece como seus braços aqueciam, como seus sorrisos o faziam.
       Apenas espero. Sentado nos degraus, vendo o portão abrir-se e fechar-se sozinho e nada de você.

Nenhum comentário:

Postar um comentário