sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Capítulo 17 - Ponteiros

   Olho o relógio e não vejo horas, vejo anos. O tempo não passa mais como antes; os minutos não correspondem à ânsia e à euforia de se viver. A vida corre a eu fico pra trás, junto dos ponteiros e dos incansáveis números cíclicos.
   Tenho dúvidas. Não sei o que esperar de mim mesmo. Não sei o que esperar de suas palavras, de seus gestos. Não sei o que fazer em uma noite chuvosa sem companhia.
   Olho o relógio e tenho vontade de jogá-lo longe, pois ele não parou no momento que deveria: ele acelerou e assustou aqueles que passam por mim. Ele não acelerou quando deveria: ele parou e torturou todos os meus sentimentos e jogou-os longe, assim como eu faço agora com o tempo. Jogo longe.
   Não tenho tempo, o tempo me tem. Adeus ponteiros, bem vinda Vida.

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