Olho o relógio e não vejo horas, vejo anos. O tempo não passa mais como antes; os minutos não correspondem à ânsia e à euforia de se viver. A vida corre a eu fico pra trás, junto dos ponteiros e dos incansáveis números cíclicos.
Tenho dúvidas. Não sei o que esperar de mim mesmo. Não sei o que esperar de suas palavras, de seus gestos. Não sei o que fazer em uma noite chuvosa sem companhia.
Olho o relógio e tenho vontade de jogá-lo longe, pois ele não parou no momento que deveria: ele acelerou e assustou aqueles que passam por mim. Ele não acelerou quando deveria: ele parou e torturou todos os meus sentimentos e jogou-os longe, assim como eu faço agora com o tempo. Jogo longe.
Não tenho tempo, o tempo me tem. Adeus ponteiros, bem vinda Vida.
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Capítulo 16 - A Menina
"Era uma menina diferente de todas as outras que já havia
visto. Nada se comparava com aqueles olhos sinceros, com aquele sorriso
acolhedor, com aquela personalidade brilhante.
Acontece
que a conheci em um dia qualquer, sem grandes méritos, sem grandes planos, sem
quaisquer olhares mais profundos e cativantes. Não esperava nada, simplesmente
aconteceu. Depois de certo tempo algo muito estranho caiu sobre meus ombros e
começou a revirar meu peito e abrir meu coração. Tenho certeza de que meu
semblante poderia ser comparado ao de uma criancinha quando recebe seu presente
de Natal. Ria à toa e falava mais do que o meu normal.
Percebi
que havia mudado e que meus sorrisos não eram mais forçados e melancólicos. Talvez,
pela primeira vez em minha vida (depois de minha rica infância), eu sorria sem
o fundo de melancolia suspirando atrás de mim. Pode ser que tenha exagerado nas
palavras, mas o poeta sempre considera que seus sentimentos sejam descartáveis
e joga todos eles no lixo, tornando-se uma vítima de si mesmo, sufocando seus
próprios princípios e tirando a liberdade daquele que mais ama e quer bem. O
poeta tenta transformar em arte cada momento e, em alguns desses momentos, a
arte é desnecessária, pois ela apenas fantasia as expectativas fantásticas de
uma mente solitária.
Era
um sentimento fora do comum. É um sentimento fora do comum, na verdade. Ao mesmo
tempo que me dá vida, inspiração e alegra as horas da minha existência, ele me
consome, traz a melancolia e molha os travesseiros das noites pensativas.
Realmente, é uma menina
diferente de todas as outras: conseguiu desmitificar o artista, conseguiu
transformá-lo em um ser menos egocêntrico, menos introvertido. Conseguiu aumentar
a maré de pensamentos e preocupações que assolam a mente viajante, conseguiu
dominar os sonhos daquele que sempre se considerou muito livre e, falsamente,
feliz.
Suas conversas desviavam toda
minha atenção, sua meiguice hipnotizava meu ser, congelava meus olhos,
distraía-me todo. Meu tempo não era útil sem suas palavras, minha vida não
fazia sentido se não tivesse presente. Comecei a perder as horas, perder cada
segundo aprisionando almas, forçando as areias correntes de uma ampulheta
eterna, que não precisa acelerar nenhum grão de seu escoamento, apenas flui.
Se me perguntarem o que sinto
agora, responderei com orgulho que nada mudou. A chama não apagou, foi apenas
colocada em seu devido lugar, não mais junta à ampulheta, não mais queimando os
ponteiros. Se me perguntarem o que sinto agora, responderei que sinto a
melancolia de se amar, a felicidade de se desejar, o desejo de não se querer,
apenas a vontade e a certeza de se deixar fluir. Sentir o friozinho da
incerteza, apostando na confiança do que vem lá do fundo do peito.
Ela me ensinou a viver... me ensinou
a ter vontade de viver, a vontade de querer morrer, a ânsia de querer matar, o
sentido do orar, o significado do perdoar. Ensinou-me o que é sorrir e o que é
chorar.., aprendi a não me importar, aprendi a cativar; a não querer... aprendi
a deixar viver e a conquistar. Aprendi que contra o tempo, não posso, ele põe
tudo em seu lugar."
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Capítulo 15 - Soleira
E lá estava eu, sentado às margens da calçada, em uma soleira qualquer, esperando suas palavras. As gotas da chuva não cessam e continuo procurando seus olhos em meio às lágrimas do céu; nada vejo, apenas sinto a brisa gelada bagunçando as pétalas do jardim, desarrumando minha camisa que acabo de perfumar para encontrar meu amor.
Ouço apenas o som da água estalando no solo úmido, misturado ao barulho do vento na folhagem e de minha respiração ofegante. Sinto o vazio que a chuva apresentou-me. Espero teus braços por horas, sentado na soleira de ninguém, à sua porta. Aguardo teu retorno; não sei quando volta, não sei nem se partiu.
Meus rabiscos tornam-se meus amigos debaixo do telhado que deságua em volta de mim. Folheio lentamente cada página do meu diário e registro com o carbono todos os sentimentos que flamejam em mim. Viram, simplesmente, carbono.
E lá estava eu. Sentado na calçada, nos degraus de uma casa que me faz rir, que me faz chorar, que me deixa a esperar. Nada sinto... o frio do dia não supera o gelo pelo qual estou passando. Não sinto calor... minha blusa não me aquece como seus braços aqueciam, como seus sorrisos o faziam.
Apenas espero. Sentado nos degraus, vendo o portão abrir-se e fechar-se sozinho e nada de você.
Ouço apenas o som da água estalando no solo úmido, misturado ao barulho do vento na folhagem e de minha respiração ofegante. Sinto o vazio que a chuva apresentou-me. Espero teus braços por horas, sentado na soleira de ninguém, à sua porta. Aguardo teu retorno; não sei quando volta, não sei nem se partiu.
Meus rabiscos tornam-se meus amigos debaixo do telhado que deságua em volta de mim. Folheio lentamente cada página do meu diário e registro com o carbono todos os sentimentos que flamejam em mim. Viram, simplesmente, carbono.
E lá estava eu. Sentado na calçada, nos degraus de uma casa que me faz rir, que me faz chorar, que me deixa a esperar. Nada sinto... o frio do dia não supera o gelo pelo qual estou passando. Não sinto calor... minha blusa não me aquece como seus braços aqueciam, como seus sorrisos o faziam.
Apenas espero. Sentado nos degraus, vendo o portão abrir-se e fechar-se sozinho e nada de você.
domingo, 11 de setembro de 2011
Capítulo 14 - A Recompensa
"Não desejo o mal a ninguém, mas também não desejaria a esperança que nunca tive. Sei que todos somos dependentes do coração alheio, por mais que odiemos o mundo e as pessoas a nossa volta. Dependemos do carinho, da atenção e do afeto. Retribuímos com o que temos... muitas vezes, nada. Muitas vezes, nada é tudo o que temos e fazemos de tudo para que compreendam isso. Se não temos nada para dar em troca do abraço apertado, do sorriso caloroso, então façamos do vazio um presente para aqueles que não sabem o que não é amar, ou para aqueles que perderam as esperanças de olhar para o horizonte a sua frente."
Capítulo 13 - A Promessa
Fui vítima de mim mesmo. Matei todos os meus sentimentos por ignorância, por ansiedade, pelo fato de nunca antes ter amado e não saber como é chorar sem motivo.
Machuquei os sentimentos alheios por ter medo de perde-los, pelas falsas crenças de que eu nunca mereci amar e ser amado. Atropelei todo o tempo. Roubei seu ar. Rasguei sua liberdade e também feri a minha. Sempre odiei o fato de saber demais, aconselhar demais, mas percebi que, não sabia de NADA. A onda quebrou no meu peito e me vi, simplesmente, sem ação.
Prometo ser o que sempre fui. Matarei todos os fantasmas que assombram esse sentimento de medo e incerteza; esses fantasmas que derrubaram seu olhar e, agora, destruíram meu peito. Não mereço olhares de pena. Não sou aquele que domina, que sufoca, que prende. Sou aquele que sorri, que admira, que AMA. Quero meu EU de volta. Quero encontrá-lo em algum lugar aqui dentro.
Prometo encontrar-me. Prometo encontrar-te. Juro estar ao seu lado sempre. Sempre que quiser. Prometo não chorar mais por futilidades, não pedir mais que me ame, apenas... me entenda.
Prometo não fazer mais promessas; não assustar mais seus sentimentos... não quero atropelar mais a vida. Juro que pedirei seu perdão, mas não mais o banalizarei como passei a faze-lo. Só quero sentir o que sempre senti, ser o que sempre fui... Andar sem rumo, mas sendo guiado pelo teu sorriso, pelas tuas palavras.
Deixo aqui meu coração. Espero que me compreenda, porque nem eu estava me compreendendo até então. Espero que seja feliz, nem que isso custe minha vida, minhas lágrimas.
Obrigado por exixtir
Machuquei os sentimentos alheios por ter medo de perde-los, pelas falsas crenças de que eu nunca mereci amar e ser amado. Atropelei todo o tempo. Roubei seu ar. Rasguei sua liberdade e também feri a minha. Sempre odiei o fato de saber demais, aconselhar demais, mas percebi que, não sabia de NADA. A onda quebrou no meu peito e me vi, simplesmente, sem ação.
Prometo ser o que sempre fui. Matarei todos os fantasmas que assombram esse sentimento de medo e incerteza; esses fantasmas que derrubaram seu olhar e, agora, destruíram meu peito. Não mereço olhares de pena. Não sou aquele que domina, que sufoca, que prende. Sou aquele que sorri, que admira, que AMA. Quero meu EU de volta. Quero encontrá-lo em algum lugar aqui dentro.
Prometo encontrar-me. Prometo encontrar-te. Juro estar ao seu lado sempre. Sempre que quiser. Prometo não chorar mais por futilidades, não pedir mais que me ame, apenas... me entenda.
Prometo não fazer mais promessas; não assustar mais seus sentimentos... não quero atropelar mais a vida. Juro que pedirei seu perdão, mas não mais o banalizarei como passei a faze-lo. Só quero sentir o que sempre senti, ser o que sempre fui... Andar sem rumo, mas sendo guiado pelo teu sorriso, pelas tuas palavras.
Deixo aqui meu coração. Espero que me compreenda, porque nem eu estava me compreendendo até então. Espero que seja feliz, nem que isso custe minha vida, minhas lágrimas.
Obrigado por exixtir
Capítulo 12 - AS HORAS
Resolvi não planejar mais
nada.
Resolvi não contar mais as
horas, e deixar que as horas contem meus dias.
Decidi não olhar para o futuro
sem viver o presente. Cansei de não viver o presente por ser tão poeta; o poeta
que cria suas expectativas e fantasia o mundo, mas esquece de transformar sua
própria vida em obra de arte. O poeta que sofre com verdadeiras expectativas e,
por insistência e inconveniência, torna-as falsas e se desilude por própria
culpa.
Resolvi não me revoltar mais
com a sociedade. Decidi que a paz, a tranqüilidade e meu cinismo comigo mesmo
são mais importantes que problemas que não são meus. Não, não sou egoísta,
apenas acho que, para mudar o que está ao meu redor, devo mudar dentro de mim.
Resolvi deixar as horas
contarem meus dias, contarem cada batimento do meu coração. Deixo as horas controlarem
meus falsos desesperos; enterro tudo aquilo que fui junto às horas que perdi.
Devolvo, sem hesitar, o ar
daqueles que eu sufoquei sem que percebesse. Devolvo cada minuto que roubei, cada
momento que tirei, cada sorriso que forcei. Sinto-me grato por isso. Sei que,
devolvendo o que nunca foi meu, posso ter o que sempre pude, mas acabei
gastando em doses torturantes.
As horas me ensinaram a ouvir
mais e falar menos... me ensinaram a vitimar aqueles que não têm expectativa na
vida, não a mim mesmo. Sou vitima dos meus próprios pensamentos insanos. Eles
que me matam e, portanto, decidi matá-los! Matei todos os sentimentos que me
aprisionavam e aprisionavam quem eu mais queria feliz.
As horas me ensinaram a
agradecer um bom conselho, não a guardá-lo numa gaveta obscura do meu coração.
São os motivos que me fazem olhar o mundo como eu deveria, como eu sempre
soube, mas nunca o fiz.
Resolvi deixar as horas
planejarem minha sina. Decidi que viverei meu presente e olharei o futuro. Não
olharei mais o presente vivendo (ou ao menos tentando viver) o futuro. As horas
passam e o tempo... diminui.
Assinar:
Postagens (Atom)




