segunda-feira, 31 de maio de 2010

Caro leitor,


Prefácios carinhosos e epílogos agradáveis não constam muito em minhas ideias e inspirações. Os fatos, as metáforas, os paradoxos e sua própria alienação são os mais intrigantes e essenciais artifícios para que consiga interpretar minhas palavras. Ao menos tentar compreendê-las, já que veracidade pode ser confundida com voracidade e ainda as chamo de compaixão. Compaixão de eufemizar sua existência que pode não ser tão bela quanto meus devaneios nos quais adoro usar vocábulos como "putrefação, "estupidez", "humanidade", "promiscuidade" e assim vai... Sim, ao usar essas palavras eufemizo o "Fator Humanidade" que habita seu caráter. Heróis não têm super-poderes. Os seus heróis podem estar mortos ou, se não, ainda não os achou. Posso ser o herói para muitos. Para muitos mais posso ser o marginal da filosofia social e cultural que apodrece sua mente e seus ideais. Pois bem, aí vi uma dica: não interprete as palavras que escrevo como querem que as compreendam. Faça delas o que melhor lhe convir. Ou nem faça. Desista como eu.

De seu,
Leo Rodrigues

Saiba que...


Teus olhos me encantam...
E teu olhar me mata.

Tua voz me aconchega...
E tuas palavras me cortam.

Amo teus abraços...
Odeio teus motivos.

Tua serenidade me domina...
E teu gênio me sufoca.

Amo tua meiguice...
Odeio teus mistérios.

Eu te amo,
Mas meu amor te odeia.

Era uma vez...


Era uma vez... duas vezes... quantas vezes você quiser. Frio. Névoa. Aurora. Reflexos. Vozes. Olhos. Vozes. Cumprimentos. Água. Vapor. Alimento. Vozes. Trajes. Soluços. Frio. Névoa. Pernas. Chão. Névoa. Vozes. Olhos. Vozes. Nada além de olhos e vozes.

Era uma vez... duas vezes... quantas vezes forem necessárias. Frio. Névoa. Reflexos. Pó. Crepúsculo. Olhos. Estrelas e vozes. Vozes e estrelas. Nuvens e orvalho. O frio aconchegado em amplexos. O desejo morto em ósculos. Reflexos. Olhos. Vozes... tudo aquilo rodeando. Cambaleando. Embriaguez. Frio quente. Calor gélido.

Era uma vez... duas vezes... talvez mais nenhuma vez. Curto no sistema. Circuito fundido. Palpitações sem inspirações. Era uma...vez. duas trajes. olhos. sensatez. frio. soluços. curto. chão. nuvens. circuito quebrado. frio.

vozes...
vozes...e olhares

terça-feira, 25 de maio de 2010

Se quiser...


arranque meus olhos. Não me permita ver minha própria raça cometendo suicídio.
Se quiser, pode abrir meu peito e despedaçar o resto do coração. Apenas o resto, porque o todo já se foi com a esperança que, em verdade, foi uma das primeiras a morrer.
Se ainda quiser, permito que me arranque o escalpo. Só pra ver aquela massa cinzenta derretendo, borbulhando, apodrecendo... de tanta informação, (de)formação, de tanta futilidade.
Se quiser, emudece-me. Não me deixe gritar feito covarde, não me permita proliferar o realismo pelo mundo, espalhar a desgraça da humanidade, a cortante realidade de se ver no reflexo de um espelho.
Pode me torturar, torcer meus membros e tirar-me a audição. Deixe-me em paz com as melodias que posso recordar, com as harmonias que me confortam, só privando-me de escutar os murmúrios da estupidez, os bramidos da ignorância que me julgam culpado, que condenam os ideais livres e privam os desejos mais banais da mente (des)humana.
Se quiser, suma com todas as minhas vestimentas, jogue-me no Atlântico Norte em um dia pálido de dezembro pra depois atirar-me na goela do Vesúvio.
Exploda meus órgãos, deturpe meu semblante, quebre meus ossos, desgaste minhas veias e aperte minhas artérias. Não deixe o ar passar. Sufoque meus pulmões. Congele meu corpo. Liberte minha alma.
Se quiser, pode até converter-me em pó, cremando essa marionete vulgar e orgânica.
Pode privar-me de tudo, mas nunca permitirei que o caráter caia nas falésias do homem, não deixarei que o bom senso seja corrompido, muito menos que eu deixe de ser eu mesmo. Mesmo sabendo que sou poeira, não me deixe fazer parte do deserto, de belas dunas. Faça-me ir pra onde o vento me levar, talvez pra algum lugar melhor que esse. Talvez pra lugar algum. Livre daqui.

Vim de um lugar distante...
Realmente longe daqui.
Do outro lado da consciência
Do outro lado da tua moralidade
Lado oposto de teus princípios
Vim te atormentar.

Vim de um lugar distante
Onde a humanidade ainda era humana
Onde o sol podia nascer ou se por
Sem que tivesse medo dos minutos
Que vêm da escuridão,
De um futuro fúnebre.

Vim de tempos remotos
Quando luz era luz
Escuridão era a sombra
E à noite havia estrelas.
Vim parar em tempos incertos,
Remorsos...
Vim por vir, pra ver-te aqui,
Pra ver-me sofrer...
Só pra não perder-me no esquecimento
E olhar nos teus olhos,
Saber que não és minha
E partir novamente
Para o lugar de onde vim.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Será?


Será que estou louco? A negação é a prova da minha insanidade moral? Ou esse mundo ao meu redor que apodrece as raízes as quais me sustentam?
Pois bem, a superestima ou a subestima alheia podem causar-te certa confusão, meu caro leitor. Tens medo de olhar as bestas lá fora sem teu elmo, cavaleiro? A luz é tanta que cega-te e escurece tuas expectativas.
Os tostões são sábios e divididos em cara e coroa. Dois lados estrategicamente distintos e independentes.
A cara subestima tuas imparcialidades e busca em algum lugar o que não deve ser encontrado: a voracidade dos fatos. Tens que encontrar o erro no divino e cais em tentação de não curvar-te ao desconhecido e abraçá-lo com a mesma compaixão que tens para com teus irmãos.
A coroa superestima tuas imparcialidades e tenta transformar o joio em ambrosia. Pões fé no abismo, mesmo sabendo que este traga-te como verme em terra. Pões fé e queima-te no fogo por algo que não lhe dá valor. Decepciona-te.
Joga a moeda para o alto. Discerne o que é cara, o que é coroa e o que não deve estar na moeda. Descobre teus valores, aqueles que estão aprisionados dentro de um amontoado de vazio e coragem. Encontra os valores de quem caminha contigo e lança os tostões ao mar. Eles não valem a pena, eles têm duas caras e... podem consumir tua inocência.
Meu caro leitor, sabes quem és
beijo grande!

E lá se vai...


O andarilho da vida.
Sem um rumo, sem direções...
Imparcial de seus sonhos,
Todos carcomidos pela miséria
Do tempo que corrói as almas.

Ímpar de seu desejos
Que morreram todos
Com seus heróis baixos
E corrompidos.

Viciado no ópio da dor
No ópio do olhar,
No calor glacial

Lá se vai o andarilho
Como um cadáver...
Como um marionete vivo
Matéria estúpida,
Incerta.

Lá se vai o andarilho,
Pra nunca mais voltar

sábado, 22 de maio de 2010

Caminho...


por terras incertas
mares em fúria
lugares inóspitos.

Desbravo olhares
traduzo sorrisos
e seco as lágrimas...
só pra poder derramá-las
de novo
em algum lugar.

Escondo a dor
grito em silêncio...
espero que não me encontrem.
Desejo que todos os alicerces
se curvem ao realismo dos fatos
e desmoronem esse mundo
de caminhos errados.

Paciência...


Paciência. Paciência é um dom que merece certa admiração nos dias de hoje. É uma virtude a qual poucos se preocupam em explorar e se aprofundar. Não sei se sou tão dotado assim, se essa virtude faz parte de meus princípios. Creio que sim. Creio que tornou-se tão banal e sincera que realmente não sei se sou suficientemente paciente comigo mesmo.

Isso não vem ao caso. Apenas acho um bom começo. Uma introdução digna de paciência, digna de uma filosofia barata que umedece os olhares dos que se satisfazem em ouvir o que querem para mascarar aquilo que realmente são. Não tenho paciência, mas a recomendo a todos. Se não for um portador desse tesouro, acabará como eu, procurando palavras para introduzir mais palavras que podem não fazer sentido algum, mas ao mesmo tempo podem dizer tanto quanto uma enciclopédia. Uma onda de palavras que traduzem um sentimento em comum, todas elas quebrando sobre sua cabeça e... lhe tirando toda a PACIÊNCIA.

Pois bem, se chegou até aqui é um bom sinal. Realmente tem curiosidade de saber o que tenho a dizer. Quer tentar entender o labirinto que é a mente alheia, mas não consegue. Quer tentar resgatar algum prestígio de um passado pobre e cru, tão seco que Eufrates não resgata. Talvez não seja nem a ânsia do resgate daquilo que nunca existiu, talvez seja a busca de ser aquilo que nunca se foi, ou mesmo daquilo que não se pode ser. Não, não acho que seja tão podre a ponto de fazer isso. Pode ser que seja apenas a curiosidade de saber como funciona o pulsar da vida e de saber como é viver fora dos pólos, lugar onde as constelações estão ébrias e cambaleiam sem nascer ou se por no horizonte, rodam em torno do ser egocêntrico que é. Um ser polar por natureza, frio e imundo, mas descarada e falsamente quente e limpo.

Duvido que haja algum tipo de horizonte além do abismo. Não sei se o amanhã ainda existe, afinal, ele é futuro, ao mesmo tempo que torna-se presente e cai no esquecimento como passado inglorioso e vulgar. Só sei que minha maior certeza é a incerteza de estar certo. Que sou consumido pelo ceticismo enquanto me afogo no misticismo o qual me condena.

Palavras seguidas de mais palavras. Todas jogadas ao léu. Podem até fazer algum sentido para aqueles que compartilham a dor da dúvida existencial. Podem não fazer sentido nenhum para o leitor polar. Podem traduzir olhares, podem disfarçar feridas, podem abrir chagas, podem desabafar uma lágrima. Mas no fim de tudo, todas dizem a mesma coisa. Todas são redundantes e repetitivas. Nada além da realidade. Realidade que poucos vêem, diferença crucial e essencial. Realidade que poucos conseguem expressar, curar, cicatrizar. As cicatrizes da contradição são permanentes e profundas e lançam-no nas profundas águas da própria hipocrisia. Busca-se amor demais e vive-se no ódio, na escravidão. Transforma-se o amor nos elos de uma corrente egoísta que não aceita perdas, particularidades e liberdade. Transforma-se o amor em carma, em vício, em ódio de amar.

Paciência. Paciência talvez seja um dom. Talvez tenha sido designada àqueles que não tenham paciência para tê-la. O tempo não voa, ele esmaece e quebra os espelhos nos quais sua imagem é refletida. O tempo dá experiência, mas arranca a vitalidade. Ele oferta sua sabedoria só pra nos emburrecer no fim de nossa trágica comédia. O tempo faz nascer e mata. Não lhe dá mais um dia de vida, ele tira mais um dia do espetáculo construído pelo suor, pelo sangue, pelo sal dos olhos e pelas doces máscaras que nos são dadas antes de se abrirem as cortinas. O tempo não é gentil. Ele dá toda a paciência porque sabe que não a terá por ser paciente.

Onde quero chegar? Boa pergunta. Não quero chegar, mas devo chegar. Em algum lugar onde o sol nasce todas as manhãs e se põe todas as noites. Um lugar normal e tão insano quanto eu, tão insano quanto minha raça, que faz da negação da loucura um diagnóstico desta. Um lugar que não haja uma raça supérflua, impotente e, quem sabe, feliz. Não que a felicidade seja o abismo absoluto, é apenas a pá que cava o buraco de sua perdição.

E assim vai a arte, sua arte. Trágica, inocente, codificada e... paciente. Lenta. Letal. Lastimável. Lúgubre. Tão viva e tão morta.

Tão bela e tão deformada...

Tão livre e tão presa.

Poética, persuasiva. Palavras não expressam palavras. Palavras expressam universos, olhares, sorrisos, soluços, sentimentos, sortilégios. Simplórios solfejos de uma singela alma perdida. De uma alma impaciente.

A vida corroi a esperança e cega com sua iluminação. A vida não é feita de inícios, mas de finais que parecem aconchegar algo novo para o futuro. A indagação destroi os alicerces de seus alicerces. A rotina rasga o bom senso e apunhala seus escravos. A vontade de fazer do outro sua imagem e semelhança corrompe a composição do ser amado.

Tudo vem do resto. Tudo vira resto. Somos resto de vida morta e consideramo-nos mais vivos que um cadáver na beira do rio. Somos todos cadáveres ambulantes ligados por impulsos elétricos numa massa estúpida que não reconhece a própria raça e os motivos de funcionar.

Traduzir palavras e mais palavras, seguidas de mais palavras pode parecer complicado. Julgar ideias, entender olhares, sair do próprio labirinto, desmanchar tudo aquilo que nunca foi construído... basta um pouco de paciência.

Conclusões são efeitos baratos de discursos pobres de mentes que ao se verem no espelho apenas enxergam a imagem, não a deformação do tempo a cada momento. Conclusões são ópio. Viciam. Tiram o peso todo de sua promiscuidade que no fim das contas está lá, afundando teu corpo em direção ao solo sujo pelos que rastejam à sua frente. Conclusões concluem, na verdade, ao menos tentam. Elas satisfazem o desejo de não querer sumir.

Um ponto final conclui. Mas só por enquanto.