"Posso tentar esconder a verdade dos olhos alheios e deixar mudos os fatos para aqueles que ouvem do lado de fora do meu peito, mas não posso enjaular nenhuma chama que consome meu coração. É impossível viver engasgando com os próprios sentimentos e tentando encontrar o verdadeiro amor no meio das pedrinhas de um mosaico bizantino. Impossível achar o equilíbrio e o perfeito agrado da mente sem sentir a dor da distância do próprio amor.
Desabafo com o caro Leitor, no caso, Leitora. Admito que sempre fui orgulhoso quanto às minhas virtudes e sentimentos e prometi a mim mesmo que conseguiria controlar cada sorriso meu, cada lágrima, toda a dor, todo o amor. Confesso que nunca me satisfiz com pouco, que nunca me encontrei e que, na verdade, nem sei quem sou e aonde estou indo. Não sei de onde vim e porque aqui estou. Deve haver um motivo maior, alguém maior, algo que, de certa forma, conquistou meu respeito e admiração.
Sempre fui orgulhoso e meu egoísmo me levou ao altruísmo pleno. Admito, então, que não controlo meus sentimentos, meus sorrisos, minhas lágrimas, meus desejos. Seus olhos dominam minha fala e sua voz congela o tempo e soa como música dentro de mim. O sorriso derruba meus alicerces e pinta uma obra de arte que me deixa sem voz. Não consigo mais me prender a mim e a meus princípios sem pensar em seus pensamentos e creio que me dói mais não poder nem tocá-la ou sentir sua respiração perto de mim.
Desabafo. Sinto-me leve de deixá-la eternizada, imortal, gravada dentro e fora de mim, mesmo que não saibam quem é. Mesmo que eu não saiba quem sou.
A verdade está no desabafo, não na própria verdade. A verdade é que ela foi feita para mascarar meus sentimentos e universalizar os fatos. A MINHA verdade é esta aqui, proposta diante de seus olhos, feita pelas minhas lágrimas e sorrisos, dedicados todos a uma só fonte de inspiração que eu nunca esperava encontrar. Tão longe... Tão perto.
Obrigado por existir."
Nenhum comentário:
Postar um comentário