domingo, 11 de setembro de 2011

Capítulo 12 - AS HORAS



Resolvi não planejar mais nada.
Resolvi não contar mais as horas, e deixar que as horas contem meus dias.
Decidi não olhar para o futuro sem viver o presente. Cansei de não viver o presente por ser tão poeta; o poeta que cria suas expectativas e fantasia o mundo, mas esquece de transformar sua própria vida em obra de arte. O poeta que sofre com verdadeiras expectativas e, por insistência e inconveniência, torna-as falsas e se desilude por própria culpa.
Resolvi não me revoltar mais com a sociedade. Decidi que a paz, a tranqüilidade e meu cinismo comigo mesmo são mais importantes que problemas que não são meus. Não, não sou egoísta, apenas acho que, para mudar o que está ao meu redor, devo mudar dentro de mim.
Resolvi deixar as horas contarem meus dias, contarem cada batimento do meu coração. Deixo as horas controlarem meus falsos desesperos; enterro tudo aquilo que fui junto às horas que perdi.
Devolvo, sem hesitar, o ar daqueles que eu sufoquei sem que percebesse. Devolvo cada minuto que roubei, cada momento que tirei, cada sorriso que forcei. Sinto-me grato por isso. Sei que, devolvendo o que nunca foi meu, posso ter o que sempre pude, mas acabei gastando em doses torturantes.
As horas me ensinaram a ouvir mais e falar menos... me ensinaram a vitimar aqueles que não têm expectativa na vida, não a mim mesmo. Sou vitima dos meus próprios pensamentos insanos. Eles que me matam e, portanto, decidi matá-los! Matei todos os sentimentos que me aprisionavam e aprisionavam quem eu mais queria feliz.
As horas me ensinaram a agradecer um bom conselho, não a guardá-lo numa gaveta obscura do meu coração. São os motivos que me fazem olhar o mundo como eu deveria, como eu sempre soube, mas nunca o fiz.
Resolvi deixar as horas planejarem minha sina. Decidi que viverei meu presente e olharei o futuro. Não olharei mais o presente vivendo (ou ao menos tentando viver) o futuro. As horas passam e o tempo... diminui.

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