sexta-feira, 4 de junho de 2010

Sei, não.


Há tempos não sei o que é sonhar. Não sei mais o que são pesadelos, quais os verdadeiros significados de palavras simples. Vocábulos extremamente complexos e bem elaborados em um período tão confuso como o labirinto cinzento dentro de meu universo mental ocupam demais as lacunas e derrubam meu senso crítico e emocional.
Cansei de começar minhas frases com negações, mas, afinal, nega-se a própria vontade de negar e afirma-se o vício da dor de não ser o que se deve ser: um rinoceronte em corda-bamba, esperando o momento exato. O momento que será apontado louco, suicida.
Há tempos não sei o que significa escrever uma carta de amor, um bilhete de amigo, uma ventura da vida. Há tempos não sei o que é apoiar-se em um ombro. Sou muleta de criaturas pobres. Por isso mesmo, continuo iniciando meus períodos em negações... talvez elas afirmem o que parece fugir dos olhos fadados a serem cegos. Talvez minhas negações afirmem. Talvez não. Não sei.

Um comentário:

  1. Leo querido,

    Não se iluda, meu caro!!! Suas negações afirmam muito mais do que qualquer afirmação!!!Elas só negam o que, realmente, não existe!
    Nossa, adorei todos os novos! Estão como sempre:- maravilhossos!!!! Guarde tudo muito bem para que, um dia, mais pessoas possam conhecer o que vc escreve!
    Beijos! Parabéns! Maria Carolina!

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