quinta-feira, 3 de junho de 2010

O novelo


Era um simples novelo de lã, mas mesmo assim fixava seus úmidos olhos naquele emaranhado de fios que não faziam sentido algum, que roubavam seu senso crítico.
A luz do fogo da lareira brincava com as sombras e aquecia seu semblante deformado. Tudo estava concentrado bem ali, naquela bolinha trançada. Imaginava que poderia ser como ela: estático, homogêneo, emaranhado, confuso, inanimado... formado da carcaça de outro animal que como qualquer outro, apenas passou sobre a Terra.
Olhava o estalar das chamas e as labaredas subindo e bailando de modo tão abstrato... tão atraente. Voltava então, sua atenção para o novelo de lã em suas mãos, tão sem graça, pobre e confuso... tão humano. Observava uma vida em suas mãos. Uma vida em chamas. Devaneava com suas sombras... lançava os pedacinhos daquela pequena e insana vida às chamas... Devaneava... as ideias refletiam...
Gritos! e o novelo de lã cai pelas escadas abaixo.

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