sábado, 26 de fevereiro de 2011

Introdução

       "Parei no tempo há séculos. Não sei por quanto tempo fiquei estagnado no vazio. A inspiração me era escassa e a vontade de expressão estava extirpada do peito. As ideias voavam ébrias em torno do escalpo pensante e ocupado demais para o coração. Parei há séculos em um tempo de limbo.
       Desperto agora de um sono morto, crucial para o futuro, essencial para o ser, ponto chave da evolução da mente. Desperto agora em tons de sonhos digressivos que, até  então, nada me significavam, nada me acrescentavam.
       De fato, seria muita ousadia minha revelar esse sono de séculos, ambição demais expor o sentido do vazio e tentar recheá-lo de grandes glórias. Seria covardia tentar encontrar soluções para fatos e questionar a subjetividade.
       Noite passada desceu-me a luz da inspiração, as vozes sussurraram veladas e teus olhos me despertaram em sonho. Não sabia se ainda sonhava ou se já havia despertado. Meus sentidos estavam todos apurados, conseguia sentir o odor da pradaria, podia imaginar o que estaria além das colinas. Sabia que se tocasse em suas mãos sentiria aquela sensação de frio e me arrepiariam as extremidades. Podia sentir o frescor da brisa, ouvir não só as veladas vozes, mas também todo o cenário do qual fazia parte.
       Conversávamos sobre os séculos estagnados no vazio. Procurávamos motivos de não se dar valor ao simples sentido de se estar vivo e poder interagir com os sonhos. Procurávamos motivos de não termos dito adeus, motivos inexistentes. Paradoxos insistentes.
       Lágrimas escondidas e sorrisos que disfarçavam a dor de se estar dormindo, o remorso de não querer acordar, de não querer expor o sentido do vazio, por mais ambiciosa que pareça essa ideia. Seria o medo de rechear de glórias o nada. Medo de saber que o nada é glorioso no deu todo. Medo de não conseguir mais sonhar depois de despertar.
       A partir de agora, Leitor, acompanhará toda a minha jornada pelas terras do Limbo. Revelarei o vazio dos séculos, os motivos do Ser e do Não Ser. Despertarei não só minha inspiração, mas também todas as alucinações que recuperei dos sonhos agora recordados."
       

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