E a paciência se esgota...
Vai caindo, escorrendo pelo rosto até chegar no chão, lugar de onde não deveria sair, lugar onde tudo brota.
E a última gota seca...
Vai-se embora como se nunca tivesse existido, como se nunca tivesse coexistido. A última gota seca, mas molha a terra onde cai. O mundo se equilibra. A gota sucumbe... A semente nasce.
O mundo se equilibra. O sol se põe... As estrelas dançam.
Não culpo mais ninguém a não ser eu mesmo de ter um coração partido, uma alma distante. Não posso culpar ninguém além de mim. Não posso acreditar em destino... Meu livre arbítrio me aprisiona. Minha sina está esboçada no cetim. Amasso-a e desenho tudo outra vez.
E vai-se embora a paciência. Cansei de paixões intensas como a chama de um fósforo. Efêmeras. Cansei de olhares inebriantes que não me dizem nada, que ficam vazios. Já se foi a paciência para contar as areias da ampulheta. O mundo se equilibra... o dia nasce e o tempo me gasta.
Quero não poder mais olhar nos teus olhos e saber que fui covarde com os nossos esboços no cetim. Quero não poder te ouvir só pra não sentir o peso de que aquela voz poderia estar me acordado pela manhã. Quero não mais te abraçar e perder tempo sonhando.
E a última gota cai sobre meu esboço. Torna-se aquarela, delicada, indefinida, tão bela quanto os esboços que sonhei.
E o mundo... vai-se embora... e volta... Seu sorriso fecha meu semblante, mas abre meu peito. Não saberei fingir, porque tudo, tudo se equilibra... Em mim você nasce e por ti meu coração morre.

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