
Sinto saudade daqueles dias nos quais podia olhar pro céu e suspirar à deriva de uma brisa incerta que abre os portões de um vazio no peito.
Sinto saudade de saber quem eu sou.
Saudade de saber que não sei aonde vou.
Me vem um aperto em ter a vaga noção de que minhas cinzas vão se dispersando num infinito desordenado e profundo. Vem o aperto de querer não sentir saudade. De querer perder os sentidos e sentimentos, só pra não misturar as saudosas lembranças com nostálgicas memórias. Pra não chorar mais. Pra não rir mais. Pra não fantasiar mais.
As verdades caem em tentação e os olhos disfarçam os calafrios que sente depois de roubarem sua identidade.
Sinto saudade de saber quem sou. Saudade de te procurar. Saudade de te amar.
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