"Gostaria de saber qual o sentido de tudo isso... Tudo o quê? Se Tudo existe a minha volta, o Nada pode morar em Tudo. Nada existe. Não há sentidos sentidos. Não há direções definidas.
Gostaria de saber o porquê de se sonhar. Os motivos de por em pauta um mundo que nem é real, mas que me deixa mais vivo do que quando estou acordado. Um mundo onde posso ter seus olhos juntos dos meus. Sentir sua presença, tocar seu mais íntimo sentimento, sentir seu ego entrelaçado aos meus devaneios, aos meus sentimentos, às minhas visões.
Escrevo com o peso da imparcialidade e com as incertezas da memória que pode ser trazida e revivida de um sonho. Por hora estou acordado. Acordado, todavia, sonhando. Confesso que este estado me permite controlar quaisquer passos e entrelinhas dos filmes que se passam pela minha cabeça, só que nisso não há graça. Não me é ofertado o prazer de palpar o sonho, apenas domino meus movimentos. Prefiro perder-me no limbo do meu inconsciente a não poder desfrutar dos sentidos e das mais belas sensações que tenho quando sonho dormindo.
Quero saber qual é o segredo de se estar vivo e, ao mesmo tempo, morto de si. Morto do surreal, ao mesmo tempo que se vive o imaginário. Morto de Vazio. Vivo e repleto de memórias, recordações, percepções. Nada é por acaso. Os sonhos são vivências paralelas e desejadas pelos olhos do que vive e morre para sonhar.
Espero agora o sono cair sobre mim. Espero que os Braços de Morfeu aconcheguem-me em breve. Assim posso voltar ao mundo no qual quero estar. A sua procura, buscando meus próprios motivos e encontrando meus princípios. Achando em seu olhar minha essência. Algo que me é levado quando acordo e vejo as meninas de seus olhos fitando minha morada com o ar de indiferença e vazio.
Durmo."
terça-feira, 5 de abril de 2011
Capítulo 5 - Devaneios
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