terça-feira, 20 de julho de 2010

Talvez seja algum tipo de orgulho, alguma raíz do remorso. Não escrevo mais belas palavras, harmonias agradáveis. Os traços não são suaves, são grosseiros. Meus vocábulos estão densamente dispostos, viciados na dor e na complexidade da arte de se estar vivo. O artista faz da dor uma obra-prima, do orgulho uma verdade, do remorso, um alívio. Não escrevo mais belas palavras? Ora, pra que harmonias divinas se tudo se perdeu em abismos obscuros? Digo que motivos não me são dados, mas uma inspiração me é ofertada e, sendo assim, desafio meu próprio EU a desmembrar o outro lado das graves palavras que tenho marcado. Lá vai:

Talvez seja o orgulho,
Raíz do remorso...
Meus traços graves,
Olhares grosseiros
Palavras densas e vício no complexo...
Talvez seja você,
Raíz de meus sentimentos...
Meus traços suaves,
Meus olhares apaixonados...
Suas palavras brandas
Seu senso para a insensatez.
Insensatez que me devora, 
Me leva além do firmamento
Acima da aurora
Junto das estrelas,
Eternizando cada momento.
Talvez seja você,
Minha razão de estar aqui
De estar aí,
Procurando seus olhos
Nessas palavras que a dedico
Sem mais enrolações.
Eu te amo...
Mas...meu amor te odeia!

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