Ah... Tenho esperanças...
Tenho esperanças de perdê-las! Perdê-las só pra não cair em um mar de ilusões e me afogar nas águas da boa vontade de uma verdade mentirosa. Não quero perder as ilusões, posso encontrá-las mais cedo ou mais tarde. Quero matá-las, colocá-las frente a frente a um espelho quebrado, só pra poder vê-las se distorcerem, assim como elas fazem com minhas esperanças e momentos de contentamento vicioso.
Ah... Tenho esperanças...
Esperanças de que a verdade seja uma mentira e de que as mentiras mais adocicadas sejam uma realidade concreta, não um bastão fincado na areia de marés, esperando para ser tragado e despedaçado no mar das ilusões.
Ah... como a paciência me apressa... me ateia fogo e apaga meus anseios... Como a pressa me dá paciência... me ensina que os cacos de minha existência não podem ser recuperados. Estão estilhaçados. Prontos para serem fundidos na vidraça de meus ossos. Prontos para serem quebrados e levados ao mar, às areias...
Tenho esperanças... esperanças de não tê-las e, se as tiver, poderei dá-las a mais um caçador de recompensas que vaga no vago. Morto

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